EMPRESAS PORTUGUESAS EM ESPANHA

Empresa portuguesa a trabalhar numa obra em Espanha: a documentação que o cliente espanhol vai pedir

Ganhou uma obra ou um serviço em Espanha e o cliente pede-lhe documentos numa plataforma que nunca usou. É normal: em Espanha, antes de entrar, o empreiteiro ou o cliente tem de verificar a empresa e cada trabalhador. O trabalho em si é igual ao que faz em Portugal; o que muda é a ordem dos papéis e o facto de muitos documentos portugueses não serem aceites tal como estão.

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A ordem que funciona

Quase todos os atrasos vêm de fazer as coisas pela ordem errada: carregar documentos na plataforma antes de ter o destacamento comunicado, ou marcar a data de início antes de saber se a formação dos trabalhadores é aceite. A sequência que costuma funcionar é esta:

  • Pedir o certificado A1 de cada trabalhador à Segurança Social portuguesa.
  • Comunicar o destacamento à autoridade laboral espanhola da comunidade autónoma onde fica a obra, antes do primeiro dia.
  • Se for uma obra de construção, estar inscrito no REA, o registo espanhol de empresas acreditadas.
  • Rever a formação em prevenção, as aptidões médicas e o seguro de responsabilidade civil.
  • Só então carregar tudo na plataforma CAE que o cliente utiliza.

Comunicar o destacamento em Espanha

A Lei 45/1999 obriga a empresa que destaca trabalhadores para Espanha a comunicá-lo à autoridade laboral espanhola antes de começar, seja qual for a duração. A comunicação é feita por via eletrónica na comunidade autónoma onde o serviço vai ser prestado e inclui os dados da empresa, dos trabalhadores, do cliente espanhol, do local de trabalho e das datas previstas.

Do lado português há também obrigações próprias, como a comunicação prévia à ACT. São procedimentos diferentes: um não substitui o outro.

Como funciona a comunicação de destacamento em Espanha

O A1 em vez dos documentos da Segurança Social espanhola

As plataformas espanholas pedem documentos como o RNT, o RLC ou o ITA, que só existem para quem desconta em Espanha. Uma empresa portuguesa não os tem, e não é um erro: os seus trabalhadores continuam a descontar em Portugal.

O documento que responde à mesma pergunta é o certificado A1, pedido pela entidade empregadora na Segurança Social Direta. Muitas vezes é preciso explicar ao técnico do cliente porque é que o A1 substitui esses documentos.

O certificado A1 nas plataformas CAE espanholas

Obras de construção: o REA

Se a empresa vai trabalhar numa obra de construção como empreiteiro ou subempreiteiro, tem de estar inscrita no Registo de Empresas Acreditadas (REA). Como não tem sede em Espanha, a inscrição é pedida à autoridade laboral da comunidade autónoma onde vai prestar o serviço, antes de começar.

O alvará português não substitui o REA. O empreiteiro espanhol vai pedir o certificado de inscrição e, sem ele, normalmente não deixa entrar.

A inscrição no REA para empresas portuguesas

Os documentos portugueses que dão mais problemas

Regra prática: quanto mais europeu é o documento, mais fácil é aceite; quanto mais depende de um sistema português, mais explicação precisa.

  • Formação em segurança e saúde no trabalho: é a causa mais frequente de rejeição, porque o conteúdo e as horas nem sempre coincidem com o que a regulamentação espanhola e o convénio da construção exigem. Em muitas obras pedem também a Tarjeta Profesional de la Construcción (TPC).
  • Fichas de aptidão médica: são aceites se estiverem válidas e indicarem a aptidão para o posto concreto, mas convém confirmar antes.
  • Seguro de responsabilidade civil: o problema raramente é tê-lo, mas sim se cobre trabalhos em Espanha e até ao limite que o contrato exige.
  • Certidões de não dívida às Finanças e à Segurança Social: são válidas por pouco tempo e o revisor verifica a data.
  • Certidão permanente e documentos da empresa: costumam ser pedidos traduzidos para espanhol.

A plataforma CAE do cliente

Cada cliente escolhe a sua plataforma: Nalanda, CTAIMA, e-coordina, Metacontratas, Obralia, Dokify ou outra. Os requisitos são configurados pelo cliente e estão em espanhol, e o revisor vai olhar para documentos portugueses que não reconhece à primeira vista.

Por isso ajuda muito carregar cada documento no requisito certo, com a tradução quando a tem, e explicar por escrito o que cada um prova. Um processo bem organizado fica validado em dias; um improvisado pode andar semanas para trás e para a frente.

Como funcionam as plataformas CAE em Espanha

Como a EntraObra ajuda

Trabalhamos a partir de Espanha e tratamos com o cliente e com a administração em espanhol. Revemos exatamente o que a empresa espanhola pede, dizemos-lhe quais dos seus documentos servem como estão, quais precisam de tradução e quais têm de ser completados aqui. Depois preparamos o processo, carregamo-lo na plataforma e acompanhamos os estados até ficarem validados.

A EntraObra é um serviço independente de apoio documental: não somos uma plataforma CAE, nem um serviço de prevenção, nem um gabinete de advogados. O que tiver de ser emitido por uma entidade acreditada ou pela administração, coordenamos com quem o emite. A aceitação final é sempre do cliente e da autoridade competente.

Se quiser continuar, comece pelo que está a bloquear a obra neste momento:

Comunicação de destacamento

Certificado A1

Inscrição no REA

PERGUNTAS FREQUENTES

Dúvidas habituais

Precisamos de abrir uma empresa em Espanha para trabalhar lá?+

Não necessariamente. Uma empresa portuguesa pode prestar serviços em Espanha destacando os seus trabalhadores, desde que cumpra as obrigações de comunicação e documentação. Se a atividade passar a ser contínua, outra estrutura pode fazer mais sentido, mas essa é uma decisão fiscal e laboral para um consultor.

Os nossos trabalhadores têm formação feita em Portugal. Chega?+

Às vezes sim, às vezes não. Depende do conteúdo, das horas e do posto. É o ponto que gera mais rejeições, por isso convém confirmá-lo antes de fechar datas e não no dia da entrada.

Com quanto tempo de antecedência devemos começar?+

Quanto mais, melhor. Com a documentação completa, duas semanas podem chegar. Se faltar o A1, a inscrição no REA ou formação, os prazos dependem de quem emite cada documento.

Podem falar diretamente com o cliente espanhol?+

Sim. Grande parte do trabalho é perceber o que o técnico do cliente está a pedir e transformá-lo em documentos concretos, e fazê-lo diretamente com ele poupa muitas idas e voltas.

Em que língua comunicamos?+

Respondemos em espanhol ou em inglês. Com o cliente espanhol e com a administração tratamos nós, em espanhol.

Quanto custa?+

A primeira preparação começa nos 300 € e a gestão contínua nos 149 €/mês para empresas, mais IVA quando aplicável. O preço final depende do número de trabalhadores, plataformas e requisitos do cliente.

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